À descoberta das Ciências
 

Teresa Palma Fernandes
Professora da Escola Básica Integrada Charneca de Caparica
 

Alimentação 

  • Os alimentos como veículo de nutrientes

  • Uma alimentação saudável

  • Avitaminoses

  • O escorbuto

  • Alimentos com vitamina C
     

Botânica

 
Zoologia

  • A Diversidade do Reino Animal                                                          
  • Os Cinco Sentidos - As Sensações
     

Educação Sexual    

  • A Adolescência
  • A Afectividade
  • A Sexualidade
  • A Formação do Casal  


Ecologia - Relação entre os seres vivos e o ambiente onde vivem
 
Conceitos de:
 
- Habitat
- População
- Comunidade
- Biótipo
- Ecossistema
 
Intervenções positivas e negativas do Homem na Natureza
 
              
Astronomia  

  • Céu-Norte
  • Céu-Sul

Estudo dos astros

  • Estudo das constelações
  • Orientação através dos astros

As Tecnologias de Navegação
Os instrumentos de medição de tempo e de orientação

  • O relógio
  • O Quadrante
  • O Sextante
  • O Astrolábio
  • A Cartografia
     
     

A Ilha dos Amores
(O Império dos Sentidos)


No seu acto criador da Ilha dos Amores apercebemo-nos que Vénus instala nela um laboratório dos sentidos em que múltiplos exercícios surgirão no seio de uma fauna e de uma flora exuberantes.

A sua azáfama é tão intensa e há uma tal profusão de cores, sons, perfumes, sabores, rituais e laços amorosos que nos entontecem e nos levam a imaginar ou mesmo a viver sensações visuais, auditivas, olfactivas, gustativas e tácteis.

Vénus ordenando ao seu filho Cupido que atingisse as Nereides com as suas setas, cria um clima de harmonia e de felicidade com o exacerbar de um império dos sentidos que virá a propiciar, aos portugueses, um Paraíso na Terra, ou numa linguagem actual, num santuário ecológico.  


 
“O nascimento de Vénus” de Sandro Botticelli
 
 


“Vénus ao espelho” de Tiziano
 
 

Uma outra ilha de encanto
A Ilha das Delícias
 


BANQUETE DE DELÍCIAS 


Giganteia, deusa fantástica poderosa e temerária, irmã de gigantes, possuidora de mil bocas e cem olhos com que vê e apregoa a verdade e a mentira, está mandada para espalhar aos sete ventos e mares o Banquete de delícias em louvor e reconhecimento dos nautas portugueses que, por esforço e mérito alcançaram a merecida divinização.

Giganteia vestida de flores e ornada de estrelas e sóis, envolta em sonoridades angelicais, acompanha com tuba clara os louvores da gente navegante, entoando um hino de Amor e espargindo perfume e magia redentora.

O seu poder posto ao serviço da causa do Amor, tornado “Love Power”, invade, espalha e galvaniza tudo e todos os seres das fundas cavernas aos cumes celestiais.

Um turbilhão de vontades aceita por amor envolver-se e partilhar este nunca imaginado festim no mar.

Por artes mágicas aconteceu a correspondência perfeita à conjugação harmoniosa dos desejos de um sublimado encontro amorosa culminando num Banquete de Deuses.

Dos Céus à terra voaram Cúpidos que, cegamente obedeceram, com os seus poderes aos desígnios de Vénus. Feriram e venceram de amor, ninfas, nereides, sedutoras na arte do Amor.

O Céu, a Terra e o Mar atraídos, abriram-se em gorjeios, em flor e em fruto, em maresia e sabores, em dádivas plenas, de todos os seres reais e imaginados.
Todos convocados envolveram-se numa azáfama vertiginosamente criadora de sensações infinitas de prazer.

A natureza fecunda oferece-se a contento suave e deleitosa, numa ilha feita de Amores inesgotáveis e eternos.

O Banquete servido em mesa de águas límpidas, num vale sussurrante, de sombras verdejantes de copas densas e convidativas ao amor, faz apelo a todas as energias naturais e sensoriais.

Para júbilo dos olhos e dos apetites jorram coloridos odoríferos e saborosos frutos e manjares para deleite das bocas ávidas.

Para júbilo dos ouvidos os cantos das aves e dos cisnes, por entre o murmurar das fontes claras que correm por entre álamos, loureiros, pinheiros e ulmeiros.

Para júbilo do gosto e dos sabores mil paladares desfrutados numa mesa plena de odoríferas cerejas, peras e romãs rubras, rosas, gladíolos e açucenas brancas a adornar.
 
Para júbilo os odores das flores e frutos das árvores, das especiarias, penetravam e sensibilizavam as aves que dançavam inebriadas, contagiando os elementos convidados.

Para júbilo e delícia do corpo vibraram, por força de Zéfiro e de Flora, os desejos em demanda do prazer físico e da espiritualidade.

Enfim, experimentou-se a rendição dos corpos ao supremo prazer da fusão dos sentidos, sinestesias vividas num ambiente idílico, paradisíaco, sem medo e sem pecado – o Paraíso perdido da inocência.
 

[...] e melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.




Bibliografia
Camões, Luís de, Os Lusíadas, Publicações Europa-América, 4ª edição, Mem Martins,1997
Schmidt, Joël, Dicionário de Mitologia Grega e Romana, edições 70, Lisboa, 1995
Boisvert, Clotilde; Hubert, Annie, ABCedário das Especiarias, Edição Portuguesa da Reborn em exclusivo para o jornal Público, 1996

 

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