AS ESPECIARIAS
O mundo das especiarias é um universo de sabores a descobrir e a sentir, onde todas as experiências gustativas são permitidas.
  

AÇAFRÃO
O açafrão (Crocus sativus, família das iridáceas) é originário do Oriente. Desconhecido no estado selvagem, é há muito tempo cultivado na Europa(França, Espanha, Itália), mas também no Irão, na Caxemira e em Marrocos. O açafrão aprecia terras de vinha. Esta planta vivaz de 10 a 30 cm de altura possui uma «sorva» bastante grande, arredondada, carnuda, branca no interior, de onde partem as suas raízes fibrosas. As folhas, quando erectas, são lineares, estreitas, rasgadas por sulcos, de cor verde-escura em cima e esbranquiçada em baixo. As flores são grandes, violáceas e raiadas de vermelho; aparecem solitárias ou a três, de Setembro a Outubro. Possuem um longo estigma trffido, que caracteriza a planta e constitui a própria droga. O fruto é uma cápsula membranosa, oblonga, com três células contendo sementes subglobulosas.

O açafrão é conhecido desde a mais remota Antiguidade, I sendo mencionado nos papiros do Egipto antigo nos séculos , XVIII e XIX antes da era cristã, bem como na Bíblia, no Cântico dos Cânticos e na Ilíada de Homero. Dois terços das receitas medievais levavam açafrão. A escola de Salemes, a mais famosa escola de medicina da Idade* Média, glorificava-o nestes termos: «O açafrão reconforta, tornando as ! pessoas felizes, e reforça os membros tratando o fígado.» i Na verdade, o açafrão é euforizante, mas um consumo excessivo pode ser mortal. Há quem diga que é afrodisíaco: desde a Antiguidade que se junta uma pitada de açafrão nos saquinhos de amor, e os italianos do Renascimento eram . grandes adeptos deste pó, que consideravam ser o estimulante amoroso por excelência.

Na culinária, o principal atributo do açafrão é o de reequilibrar o sabor dos pratos salgados e açucarados, bem como o dos licores. 0 açafrão foi sempre muito caro e, ainda hoje, é a mais cara das especiarias, sendo objecto de numerosas falsificações. É importante comprar o açafrão em barbas ou em pó num especieiro de confiança. 0 segredo da cozinha com açafrão reside numa dosagem perfeita: 0,1 g para 4 partes e uma maceração prévia de várias horas em água ou em natas.
 
 
AÇUCAR
Na Antiguidade, e até ao final da Idade Média, o açúcar foi uma mercadoria rara, trazida para a Europa pelos mercadores árabes. A cana-de-açúcar, originária da Nova Guiné, foi desde muito cedo cultivada na Índia. Foram pois os indianos que nos deram o açúcar, por via dos árabes, que posteriormente o implantaram no mundo mediterrânico. Uma substância tão rara só podia ser medicinal. Os boticários e os especieiros vendiam-na como remédio, e fazia parte das especiarias. Só muito mais tarde, a partir do século XVIII, o seu uso se estendeu a todas as camadas da sociedade. Com o desenvolvimento da cultura da cana nas Antilhas e nas ilhas do oceano Índico pelas nações coloniais, o açúcar «vermelho» tornou-se uma mercadoria corrente. Os edulcorantes tradicionais -o mel, o sumo de uva [e as pastas de figo -foram objecto de um total desinteresse. Nos nossos dias, o consumo de açúcar não pára de aumentar. Inicialmente recomendado pela classe médica como o mais energético dos alimentos, foi, anos mais tarde, diabolizado pela mesma classe médica, que, associando-o aos lípidos, fez dele o agente potencial de toda a espécie de doenças. Os franceses foram, a partir do século XVIII, os únicos na Europa a fazer uma distinção radical entre o salgado e o doce: daqui resultou que, apesar do acorde salgado-doce e agridoce estar tão generalizado noutros países, estas misturas têm uma certa dificuldade em ser introduzi das no repertório culinário em França; tratar-se-á, quem sabe, de um cartesianismo gustativo próprio dos franceses.
 
 

BAUNILHA
A baunilha (Vanilla planifolia, família das orquidáceas) é uma planta herbácea trepadeira originária das regiões quentes e húmidas da América tropical. É uma planta que aprecia a sombra e os solos de origem vulcânica, tendo uma flor que é uma orquídea. O fruto é uma baga-vagem que, na maioria das vezes, é utilizada antes de madura. Na colheita, a vagem é verde e não tem cheiro, sendo o seu aroma* adquirido através de uma série de manipulações. O nome «baunilha» provém do espanhol vanilla, diminutivo de vaiha, que designa o invólucro ou a vagem.

Em toda a América* Latina, as vagens de baunilha, colhidas antes da maturidade, são usadas em feitiços de amor. As antigas populações do México* serviam-se da vagem de baunilha fermentada para aromatizar o chocolate. Foi até oferecida a Cristóvão Colombo, numa taça de chocolate, a 14 de Setembro de 1502, na Nicarágua, quando da sua última viagem. Os espanhóis trouxeram-na para a Europa no princípio do século XVI.

As primeiras observações botânicas foram realizadas em 1605 por Charles de Lécluse, botânico de Arras. Contudo, longe da sua terra natal, a baunilha foi durante muito tempo uma planta ornamental nas regiões para onde havia sido levada, uma vez que não produzia frutos. Por fim, chegou-se à conclusão de que nas novas paragens não existiam os insectos que no México perfuravam as peças florais que protegiam o ovário, assegurando assim a fecundação pelo transporte do pólen. Pela primeira vez, iria recorrer-se à fecundação artificial.

Na cozinha, a baunilha acabou por se emancipar da tutela do chocolate para entrar em inúmeros preparados com açúcar: bolos, sobremesas, licores, que se tomaram clássicos e cujo sucesso ninguém desmente. Actualmente, porém, os melhores chefes de cozinha não hesitam em perfumar com ela um molho de peixe ou o feijão-verde, renovando assim a atracção de quase todos por este tão doce sabor. 
 
 
CANELA
A caneleira (Cinnamomum zeylanicum, família das lauráceas) é uma árvore tropical que mede, em adulta, entre 10 a 15 metros de altura. À semelhança de inúmeras árvores de cultivo, a caneleira, plantada em “jardim de canela”, é reduzida a um quarto do seu tamanho normal, a fim de permitir uma exploração mais fácil. Passada a estação das chuvas, a madeira fica impregnada de água e de sucos. Depois de raspada a casca exterior, destaca-se a segunda casca da árvore, que é cortada em pedaços de igual comprimento. Secos ao sol, enrolam-se sobre si próprios em pequenos canais dourados – daí o nome de “canela” – que são encaixados uns nos outros e postos à venda.

Existem diferentes tipos de canela, e cada um é apreciado por grupos de consumidores diferentes. A canela de Ceilão, muito aromática, suave, um pouco adocicada, que se desfaz em pequenas lascas entre os dedos, é a única conhecida em França. A canela da China, ou “cássia”, de casca mais espessa e rugosa, que exala um cheiro mais aberto, menos adocicado, com uma nota adstringente, é a que se consome na Alemanha, na Rússia e nos Estados Unidos.

Os Antigos consideravam a canela a primeira das especiarias e tinham-na elevado ao lugar de oferta real, a par da mirra, do ouro e do incenso. Actualmente, o consumo mundial está avaliado em 35 000 toneladas, e a cássia representa 90% do volume total de canela consumida no mundo.

A canela é uma especiaria muito aromática que é preciso utilizar com parcimónia, tanto em paus – que se deitam fora depois de usados – como em pó. A canela perfuma preparados com açúcar e bebidas e bebidas quentes mas também preparados salgados: carnes guisadas, tajines e caris. Os cozinheiros classificam-na na categoria das especiarias ditas doces.

O calor e a força do seu aroma justificam que sempre a tenham considerado um afrodisíaco. Talvez por isso, existe na China uma lenda que conta como a deusa das caneleiras, apaixonada por um jovem filósofo, utilizou a canela como filtro de amor.


CRAVINHO
Originária do arquipélago das Molucas, a cravoária (Syzygium aromaticum, da família das mirtáceas) é uma árvore de grande porte. A sua copa piramidal está sempre verde. As flores aparecem dispostas na extremidade dos ramos: de cor vermelho-escura, acabam por se revestir de uma coroa de estames maciça e odorífera. A cravoária cresce hoje nas Antilhas, nas regiões orientais da Africa tropical, nas Índias, em Zanzibar (que é o seu maior produtor mundial), na China e no Sudeste Asiático. É uma planta que aprecia os climas húmidos e o ar marítimo. Os botões florais são colhidos antes do desabrochar da corola, quando as pétalas não separadas formam uma cabeça redonda e rosada por cima do cálice. Depois de secos, adquirem uma tonalidade vermelho-acastanhada e um perfume característico, o dos cravos-de-cabecinha (fugenia caryophyl-lata) em que se transformaram.

A planta, há muito explorada na China, era desconhecida dos povos da Antiguidade. Foi introduzida na Europa pelos árabes no século IV - foi encontrada, num túmulo alsaciano do século IV, uma pequena caixa de ouro contendo dois cravos-de-cabecinha. Na Idade Média, um punhado desta preciosa especiaria valia meio boi e uma ovelha. Só se conheceram exactamente as terras de origem do cravinho depois da viagem de Marco Polo e na altura em que as feitorias portuguesas, e mais tarde as holandesas, se estabeleceram no Sudeste da Ásia: a especiaria chegava a Java proveniente da ilha de Banda (Molucas). No século XVIII, Pierre Poivre quebrou o monopólio holandês que confinava a cravoária às Molucas, introduzindo com êxito a sua implantação na ilha de França (ilha Maurícia) e na ilha Bourbon (ilha da Reunião).

0 aroma do cravinho é penetrante, quente, rico; o seu sabor é simultaneamente picante e amargo. Entra na maioria das misturas de especiarias: garam massala, berbere etíope, baharat, cinco-especiarias. Conserva a carne em sábias marinadas ou condimenta o cozido e o guisado. Nos Estados Unidos, é usado para decorar e aromatizar o fiambre cozido no forno. Na Europa, é adicionado ao pão de mel, ao vinho quente doce, aos licores (ver Bebidas). 0 cravinho, purificador e protector, entra em numerosas tradições não gastronómicas orientais. Por exemplo, na Indonésia, os kreteks, cigarros tradicionais, são feitos com cravos-de-cabecinha; na Índia, os apreciadores de bétel fecham o seu rolo de tabaco de mascar com um cravo-de-cabecinha.
 
 
GENGIBRE
Planta herbácea vivaz, o gengibre (Zin8iber ofticinale, família das zingiberáceas) é originário da Índia e da Ásia tropical. O seu caule subterrâneo é carnudo, tuberáceo, aromático. O seu caule erecto tem folhas lanceoladas. As flores são esverdeadas, manchadas de violeta.

É o caule subterrâneo (rizoma) que é utilizado. Tem a forma de uma mão com dedos grossos. Escolhe-se inteiro, bem rijo, conserva-se facilmente fresco e depois congelado; também o podemos encontrar seco, inteiro ou em pó, cristalizado ou às lamelas frescas em vinagre (no Japão*) ou em xerez.

O gengibre, cujo nome vem do sânscrito, já era conhecido dos gregos, que tinham importado o seu rizoma do Oriente muito antes de Dioscórides lhe ter descoberto as propriedades medicinais e feito referência à sua venda em conserva em Itália. Amplamente utilizado em França até finais do século XVIII, entrava também na confecção de pães de mel, desempenhando um papel-chave no fabrico do nógado, o pignolat (à base de pistácios, amêndoas, pinhões e açúcar). Ignorado actualmente pelos franceses, continua presente em Inglaterra e na Alemanha, sob a forma de condimento e de aromatizante, em compota e no fabrico dos ginger beer ou ginger ale. Com o gengibre também se prepara um delicioso chá, juntando-lhe a raiz fresca. Em Africa, os Uolofs e os Peuls do Senegal introduziram-no na preparação do seu cuscuz. Na Índia, o gengibre verde é consumido como entrada. Muito aromático e levemente apimentado, o gengibre não é - contrariando certas ideias-feitas - muito picante; serve apenas para aquecer agradavelmente o paladar. O mais interessante será utilizá-lo fresco, cortado em lacas. Na cozinha, é sobretudo apreciado pelo sabor caloroso e pelas virtudes digestivas. São estas virtudes que os chineses exploram ao servi-lo em conserva, no final das refeições, para combater as sonolências digestivas.
 
 
MOSTARDA
A mostarda comestível (Sínapís) é uma erva anual da fan1ília das crucíferas, peluda e eriçada, muito comum, que conta com um grande número de subespécies. Encontra-se nas regiões temperadas e meridionais da Europa, no Norte de África, na Índia, na Ásia Ocidental, na Nova Zelândia e na América. O seu uso alimentar é antiquíssimo: há mais de 3 000 anos que é apreciada na China e há pelo menos 2 000 no Ocidente. Figurando na Bíblia com o nome de «semente de mostardeira», faz parte das mais antigas ervas culinárias e medicinais conhecidas. Na Antiguidade Clássica, misturavam-se nos alimentos as folhas cruas ou cozidas; quando moídas, travavam a fermentação do mosto de uva, conservando-o no estado de vinho doce. A mostarda é mencionada na Gália Cisalpina, no século IV a.C.

São sobretudo as sementes que são utilizadas como especiarias; foi com estas, esmagadas no mosto de vinho, que desde muito cedo se produziu a mostarda de mesa. A palavra «mostarda» derivaria de mustum ardem, isto é, «mosto de vinho condimentado». Muito bem aceite na Roma antiga - Apício recomendava que se pincelassem com ela as salsichas -, a mostarda expandiu-se mais tarde em França graças aos decretos de Carlos Magno, que organizou o desenvolvimento do seu cultivo. No século XIII, a mostarda de Dijon já era famosa. Vasco da Gama, a caminho da Índia, levou com ele uma barrica. No século XIV, o papa João XXII instituiu em Avignon uma sinecura para o seu sobrinho: o cargo de «grão-mostardeiro do papa». A corporação dos vinagreiros-mostardeiros nasceu nos finais do século XVI em Orleães e por volta de 1630 em Dijon, onde, no século XVIII, um certo Naigeon registou a patente da receita de mostarda «forte».

Em França, a designação de «mostarda» está reservada a um produto que resulta da trituração dos grãos da mostarda-preta ou castanha, ou de ambas. A única excepção é a «mostarda da Alsácia», fabricada com grãos de mostarda-branca. A variedade de receitas nacionais é hoje considerável: mostardas francesas de Dijon, de Meaux, de Orleães, mostarda-violeta de Brive, mostarda com cravinho, com noz-moscada, com anchovas, mostarda de Bordéus e da Alsácia, mostarda inglesa em pó, mostarda de Cremona com frutas cristalizadas, mostarda tirolesa com cerveja.
 

NOZ-MOSCADA
A moscadeira (Myristica fragrans, família das miristicáceas) é originária das ilhas Banda nas Molucas.

Encontramo-la nos trópicos dos dois hemisférios: na Malásia e nas Molucas (ver Indonésia), na ilha de Granada ao largo da Venezuela e, desde há pouco mais de mero século, nas Antilhas Francesas.

Este árvore dióica, de porte piramidal, atinge entre 10 e 20 m de altura. A árvore fêmea produz um fruto globular carnudo, com o tamanho de um ovo, semelhante a um grande alperce amarelado, que, quando maduro, se abre em duas válvulas libertando uma semente ovóide, muito dura, de cor acastanhada/ envolvida por um invólucro camudo: o macis. Esta semente seca-se em lume brando e a sua casca lenhosa é assim eliminada. Depois de aberta/ o seu cheiro suave revela-se logo que é raspada. Assim/ o produto a que se chama «noz-moscada» não é o fruto da moscadeira, mas a amêndoa que o seu fruto encerra. No comércio/ distinguia-se antigamente a noz-moscada macho ou silvestre, proveniente de árvores não cultivadas, da noz-moscada fêmea/ mais pequena mas mais aromática/ obtida de uma árvore de cultivo.

Desconhecida dos Antigos/ a noz-moscada só terá surgido no Ocidente no principio da Idade Média, importada pelos árabes. Tinha uma grande reputação terapêutica. Paulini, em 1704/ propõem-na como remédio para 138 doenças distintas! Mas, em doses elevadas, tem as propriedades narcóticas, convulsionantes e alucinógenas que a escola de Salemes previra (ver Simples), ensinando que «uma noz-moscada é saudável, uma segunda faz mal/ uma terceira mata».

Bonitos objectos, muitas vezes preciosos, foram especialmente fabricados para conservar e raspar a noz-moscada no momento da sua utilização: nomeadamente para temperar o melão fresco/ as costeletas de borrego/ a perna de cabrito ou, ainda/ o molho-branco que acompanha um prato de couve-flor. Nos países germânicos, e uma forma de tempero para os purés de maçã. Também se encontra noz-moscada nas fórmulas de alguns vermutes e licores.
 
   
PIMENTA
A pimenteira (Piper nigrum, família das piperáceas) é um arbusto trepador originário da Índia e muito cultivado em países tropicais, como a Indonésia, a Malásia, as ilhas do Pacífico, a Africa equatorial. Esta liana vivaz tem bagas sésseis, globulosas, primeiro verdes, depois amarelas e vermelhas quando maduras, de 1 a 10 por centímetro, em longas ramadas.
A pimenta pode ser colhida ainda verde ou no princípio da maturidade e seca ao sol: é a pimenta-preta; ou colhida em plena maturidade, imersa em água e depois libertada do seu epicarpo: é a pimenta-branca. O especieiro propõe pimenta, preta ou branca, em grão, esmagada ou em pó. Verde, existe seca e em salmoura, ou melhor, liofilizada.
 
Nos primórdios do seu comércio, apimenta era importada em espiga. Os antigos escritos sânscritos mencionam-na com frequência e, no século IV a.C., Teofrasto distinguiu duas espécies: a comprida e a redonda. Na Idade Média, era mais procurada pelas suas virtudes medicinais do que pelas suas virtudes gustativas: os médicos prescreviam-na como afrodisíaco, sob forma de decocção (pimenta-preta e pimenta-branca, tomilho, gengibre, sementes de anis, tudo pilado e fervido numa solução de açúcar e água). Um autor do século XVI conta ter visto «cachos inteiros de pimenta conservados em salmoura» no Dorsetshire e em Londres.

Existem pimentas muito diferentes: pimenta-comprida (Piper longum), pimenta-de-cauda (Piper cubeba), pimenta da Guiné (Piper guineensis) e também falsas pimentas, que, embora não pertençam à mesma família botânica, desempenham um papel semelhante: malagueta, pimenta de Chechuan (Xanthoxylum piperitum, da família das rutáceas), bagas-rosa (Schinus therebenthifolius), bagas de murta, bagas de agnocasto, etc.
 
 

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