VIAJAR COM O CANTO IX DE "OS LUSÍADAS"


Leonett Maysa da Silva Abrantes
Professor de Geografia da Escola Secundária da Sobreda


Breve Introdução Histórico-Geográfica


Em «OS LUSÍADAS», Luís de Camões versa os feitos gloriosos dos Portugueses, na descoberta do Caminho Marítimo para a Índia.

Invocando inspiração às Ninfas do Tejo, Camões inicia a narrativa, no Canto I, com a partida da frota de Vasco da Gama da praia do Restelo, Lisboa, em 8 de Julho de 1497. A expedição, encarregada de encontrar, por El-Rei D. Manuel I, a passagem marítima para a Índia, navega ao largo das ilhas da Madeira e Canárias, derivando ao longo da costa ocidental de Marrocos e do Senegal, contornando o continente africano.

Debaixo de uma tempestade, a expedição de Vasco da Gama dobra o Cabo da Boa Esperança: estava descoberta a passagem para a Índia!


“Apartadas assi da ardente costa

As venturosas naus, levando a proa

Pera onde a natureza tinha posta

A meta Austrina da Esperança Boa (...) “

Canto I, Estrofe16



Seguindo viagem ao longo da costa oriental de África, sob fortes tempestades, abordam Moçambique, chegam a Mombaça e a Melinde, onde o encontro de Vasco da Gama com o Rei de Melinde se realizou num batel, em pleno Oceano Indico, como versa Camões nos Cantos II, III, IV e V.


Parte de Melinde a Armada de Vasco da Gama, tempestades surgem no mar alto... Por intermédio de Baco que desejava a destruição da esquadra Portuguesa, Neptuno ordena a Éolo que os ventos se soltassem sobre as naus (Canto VI). Vasco da Gama sofre as tormentas e invoca a protecção divina: ao romper do dia, avista terras da Índia - Calecute! Os ventos tinham parado de soprar, com o auxílio de Vénus e das Ninfas!


A 20 de Maio de 1498, dez meses e doze dias após a partida da praia do Restelo, a expedição dos Portugueses tinha levado a bom termo a viagem que empreendera (Canto VIII).


A Armada parte de Calecute na viagem de regresso à Pátria e, não obstante o desejo de Baco de dificultar o empreendimento dos Portugueses, Vénus parte, com Cupido, em busca da Fama, espalhando pelos Oceanos o louvor, o feito, o valor dos Navegadores. As Ninfas seguem Vénus para a “ Ilha dos Amores “. E é nesta ilha, oferecida por Vénus à Armada de Vasco da Gama, como mérito pelos seus feitos, que desembarcam os Portugueses, sendo recompensados pelo amor das Ninfas.


Camões faz a alegoria da “ Ilha dos Amores “ nas últimas estrofes do Canto IX, oferecendo aos Portugueses o triunfo, a glória, a admiração dos outros, a sua condição de imortais, a sua elevação a deuses... a vitória do Amor.



“ (...) Porque dos feitos grandes, da ousadia

Forte e famosa, o mundo está guardando

O prémio lá no fim, bem merecido,

Com fama grande e nome alto e subido. “

Canto IX, estrofe 88



“ (...) Os triunfos, a fronte coroada

De palma e louro, a glória e maravilha:

Estes são os deleites desta ilha. “

Canto IX, estrofe 89



“ Não eram senão prémios que reparte,

Por feitos imortais e soberanos,

O mundo cos varões que esforço e arte

Divinos os fizeram, sendo humanos; (...)

Canto IX, estrofe 91



Camões termina a epopeia de «OS LUSÍADAS», com o Canto X, em que se realiza um banquete oferecido por Téthis aos Navegadores, no qual são descritos os feitos militares futuros dos Portugueses e a História futura da Índia. Do alto de um monte, Téthis descreve a Terra a Vasco da Gama - mostra-lhe as costas da África, da Ásia, das Américas, da Oceânia - e dá-lhe a conhecer o Universo, tentando mostrar o domínio futuro de Portugal no Mundo, em especial sobre as terras que se estendem desde o Trópico de Câncer ao Círculo Polar Árctico.


“ (...) Aqui o soberbo Imperio, que se afama

Com terras e riqueza não cuidada,

Da China corre, e ocupa o senhorio

Desde o Tropico ardente ao Cinto frio. “

Canto IX, estrofe 129



Os Navegadores partem para Lisboa, onde desembarcam, após uma longa e feliz viagem de regresso, dando à Pátria e ao seu Rei, a glória que se ansiava.


Ao dedicar «OS LUSÍADAS » a El-Rei D. Sebastião, Camões exorta-o a ser um Rei audaz e empreendedor das conquistas de Marrocos.


“ (...) a minha já estimada e leda Musa

Fico que em todo o mundo de vós cante,

De sorte que Alexandre em vós veja

Sem a dita de Achiles ter enveja."

Canto IX, estrofe 156



“ (...) só com saber que são de vós olhados,

demonios infernais, negros e ardentes,

Cometerão convosco, e não duvido

Que vencedor vos façam, não vencido. “

Canto IX, estrofe 148


Geografia

Nas cumplicidades criativas que o Canto IX de «OS LUSÍADAS» proporciona, procedeu-se à multidisciplinaridade de abordagens e, no domínio da Geografia, a leitura deste Canto permite conhecer e (re)criar:


1. O PERCURSO DOS NAVEGADORES (a “Rota” dos Portugueses até à Índia ) e identificar:

a) os Oceanos percorridos: Atlântico e Índico

b) os Continentes visitados: partem da Europa e visitam a África (costas ocidental e oriental) e a Ásia (o Sul da Ásia, também denominado Ásia meridional e Ásia das Monções)


2. NOÇÃO DE ILHA


“ De longe a ilha viram, fresca e bella,

Que Vénus pelas ondas lha levava

(bem como o vento leva branca vela)

Pera onde a forte armada se enxergava; (...) “

Canto IX, estrofe 52



Em Geografia, ilha é uma porção de terra rodeada de água por todos os lados. No Canto IX, a “ Ilha de Vénus” ( “ Ilha dos Amores”) idealizada por Camões, reflecte a sua criatividade enquanto escritor e poeta.

E de onde provém a descrição da ilha, de modo tão vivo e concreto?

De imagens que retinha na memória?

De paisagens da Pátria que já conhecia?

De descrições ouvidas/contadas por gentes que contactara?

Do retracto vivo de alguma ilha que visitara?

Seria uma metáfora da ilha de Bombaim?


A cidade de Bombaim, localizada na costa ocidental da Índia, debruça-se sobre uma baía... e possui praias de areia branca e fina.



http://www.terravista.pt/nazare/2643/mumbai.htm


http://pt.india-tourism.com/west/west_pt.html



“Pera lá logo a proa o mar abriu,

onde a costa fazia hua enseada

Curva e quieta, cuja branca areia

Pintou das ruivas conchas Citereia.“

Canto IX, estrofe 53


Algumas ilhas ‘reais’ (por oposição à “ Ilha dos Amores”), localizadas no Índico são, pela sua formação/constituição geológica e pelo seu clima, lugares de sonho onde, comumente, localizamos o Paraíso.



“Pera onde é posto o etéreo Paraíso.”

Canto IX, estrofe 57



3. Paralelismo entre a ilha dos amores, idealizada por Camões, e algumas das ilhas "reais" existentes no Índico


Aspectos geográficos


A – As Maldivas

Localizadas no Oceano Índico, mar Arábico, a SSW da Índia, são constituídas por 1190 ilhas, agrupadas em 26 atóis, sendo 287 habitadas por povos de origem indiana. Têm fraca altitude(2m), sendo de origem sedimentar e coralina.

As Maldivas possuem os mais belos recifes de coral do Mundo! O coral desenvolve-se em águas pouco profundas, quentes e límpidas.

A localização geográfica das Maldivas (próximo do Trópico de Câncer) permite a existência de um clima quente todo o ano ( t. m. a. 29º C-32ºc), com humidade, provocada pelas Monções. Foram governadas pelos Portugueses de 1558 a 1573, até serem uma nação independente, cuja capital é Malé.

http://www.viagemaventura.com.br/pages.php?recid=4074


http://www.terravista.pt/portosanto/4099/Maldivas/Maldivas.htm



B - As Seychelles


Localizadas muito próximas do Equador (4º-5º de Lat. S), mo Oceano Ìndico, a leste da costa oriental de África (Quénia), a República das Seychelles foi colonizada por franceses e britânicos, sendo independentes destes últimos desde 1976.

As Seychelles são constituídas por 115 ilhas, cuja capital é Victoria e rodeadas por uma barreira de coral, que torna as suas águas quentes, transparentes e plenas de vida animal marinha. Mahé, Praslin e La Digue são as ilhas mais importantes.

Em Mahé, a linha da costa é recortada por baías e praias de areia branca e fina, contrastando com costas altas que descem até ao mar. O cenário espectacular dos vales profundos, das gargantas estreitas e dos altos picos domina o interior da ilha.

Em La Digue, as praias de areia fina são entrecortadas por blocos erráticos de granito, que conferem um encanto especial à ilha.

Factores Naturais estão na origem da diversidade paisagística das Seychelles:

- a acção erosiva do mar (abrasão marinha) desgastou as rochas mais brandas, de origem sedimentar e a acumulação de materiais desgastados formou praias e baías;

- as rochas graníticas, mais duras e, por isso, menos sujeitas à acção doa agentes erosivos externos, modelaram o litoral e constituem os picos mais altos do interior das ilhas.


As Seychelles, sobretudo o seu grupo central, são, pois, os vestígios mais antigos resultantes da separação dos continentes africano e sub-indiano.

A diferença de altitudes faz surgir uma vegetação muito própria:

- palmeiras e coqueiros alongam-se junto às praias (o carácter especial de Praslin reside no “Jardim do Éden- Vallée de Mai”, Património da Humanidade, pela presença de uma luxuriante vegetação tropical, onde existe o ‘Coco-de-Mer’ e é habitat do papagaio negro;

- árvores de especiarias, que perfumam o ar (a baunilha, a canela, o cardamomo encontram-se à beira das estradas...);

- plantações de chá povoam a ilha de Mahé, dando um toque original à paisagem;


Uma grande variedade de fauna (ex: as tartarugas gigantes) encontra nas Seychelles o seu habitat natural. O Parque Nacional Marinho de St. Anne foi a 1ª reserva marinha no Oceano Índico e assegura a preservação dos recifes de coral e da vida animal, no seu estado natural, para as gerações presentes e futuras.


C – As Maurícias

Localizadas no Oceano Índico, no paralelo 20º S, são constituídas por duas ilhas (Maurícia e Rodrigues), cuja capital é Port-Louis.

A ilha Maurícia – a principal – é de origem vulcânica, com muitas crateras de antigos vulcões, rodeadas de lava solidificada e cobertas de vegetação. Parte desta vegetação foi substituída por plantações de cana-de-açúcar, em solos férteis e irrigados, que ocupam 45% do território. Estende-se uma planície desde a costa norte até ao planalto central, a 823 m de altitude. O clima é subtropical, quente e húmido.

São ilhas de origem vulcânica, daí a sua linha de costa ser ‘agreste’ e dificilmente sujeita à acção dos agentes erosivos externos. No entanto, em certos locais da costa leste existem praias, fruto da intensa acção de desgaste e acumulação dos materiais, no decurso das Eras Geológicas.


D – A Ilha de Reunião

Localizada no Oceano Índico, quase à latitude do Trópico de Capricórnio, a leste de Madagáscar e a SW das Maurícias, é um departamento francês desde 1946 e cuja capital é St.-Denis. A sua origem é vulcânica e tem relevo muito acidentado, com duas formações montanhosas de altitude superior a 3000m, separadas por uma depressão.

A ilha ‘nasceu’ de um vulcão que emergiu do Oceano há 3 milhões de anos – o ‘ Piton des Neiges’ , com 3069m de altitude, o ponto mais alto da Reunião e do Índico – mas o seu vulcão ainda activo é o ‘ Piton de la Fournaise’, que entrou em erupção em Janeiro de 2000. O magma em fusão, proveniente destas erupções, libertou-se pelas encostas, numa frente de 70m e com altura de 2m, destruindo parte da vegetação, do interior até ao mar.

Os ‘Circos’ ( ‘Cirques’, no original) – Salazie, Mafate e Cilaos – são formações geológicas, rodeadas de altas montanhas de encostas íngremes ( os ‘Pitons’), constituíndo uma espécie de anfiteatros naturais. Quedas de Água, gargantas estreitas e vales profundos são as paisagens dominantes no interior da Reunião.

Ao largo da costa ocidental estende-se uma barreira de coral, que contribui para o carácter coralino das praias. O clima é subtropical, com chuvas provenientes do aquecimento da terra e trazidas pelos ventos marítimos.

A vegetação é elucidativa das diferentes altitudes:

- floresta tropical, ao nível do mar;

- plantações de cana-de-açúcar e de milho;

- florestas de tamarindos e de criptomérias, nas altitudes médias;

- pastos naturais para o gado, nas altitudes mais elevadas.


3. Vegetação

Ao analisar o Canto IX de «OS LUSÍADAS», verifica-se que Camões descreve a vegetação da “ Ilha de Vénus “ (‘Ilha dos Amores’) como sendo própria, não da Zona Tórrida ou Intertropical, mas, sim das Zonas Temperadas ( estrofes 56, 57, 58 e 59 ).

Ao referir árvores da Floresta Temperada ( limoeiros, laranjeiras, álamos, loureiros, pinheiros, ciprestes, videiras, ulmeiros...) e frutos dessas mesmas regiões da Terra ( amoras, uvas, cerejas maçãs, peras, romãs...), Camões dá-nos a ideia de Paraíso, como ele conhecia das paisagens que vira na Europa e o sentimento de saudade, por estar longe da Pátria.

As ilhas ‘reais’ do Oceano Índico, dada a sua localização geográfica, possuem uma vegetação característica dos climas quentes, a não ser quando o factor ‘altitude’ a condiciona, estratificando-a.

Estabelece-se, pois, a relação entre a “ Ilha de Vénus” (‘Ilha dos Amores’) e os ambientes bioclimáticos da Pátria de Camões e não da região onde ele viveu algum tempo, a Ásia das Monções.


4. Clima

A acção do Canto IX de «OS LUSÍADAS» desenrola-se numa Zona da Terra afectada pelas Monções. O significado da palavra ‘Monção’ é variado: chuva muito forte, tipo de vento sazonal, estação do ano. Na verdade, o clima de Monção é dominado por ventos periódicos, isto é, ventos que sopram numa dada época do ano do mar para a terra e, noutra, da terra para o mar.

Assim, o mecanismo das Monções tem a sua 1ª causa nas variações de temperatura entre o mar e a terra, gerando-se centros de pressão atmosférica diferentes, entre os quais se formam os fluxos de ar.

A Monção de Verão, de Abril a Setembro, é um vento bastante quente e húmido, frequentemente acompanhada de tufões, que origina fortes chuvas no SE Asiático: os campos agrícolas ficam alagados, os rios aumentam os caudais... ´



A Monção de Inverno, de Outubro a Março, é um vento mais fresco e mais seco, que sopra da terra para o mar, em direcção contrária ao da Monção de Verão, trazendo bom tempo, céu limpo e precipitações escassas às regiões do Sul e SE da Ásia.



Deste modo, a Índia é, pela sua localização geográfica, um país directamente influenciado por estes ventos, tendo um tipo de clima denominado Tropical de Monção, cujas características são:

- temperaturas elevadas na estação quente ( 32º c);

- amplitudes térmicas variando entre 6º e 20ºc;

- precipitações fortes, torrenciais, quase sempre superiores a 750mm , podendo atingir milhares de mm anualmente;

- durante a Monção de Inverno, o tempo é, em geral, seco.


Esta é a região do Mundo propícia à Rizicultura, a cultura do arroz, que tem, nestes países do Sul e SE da Ásia, a sua expressão máxima!



4.Problemas ambientais

A progressiva concentração de gases na atmosfera, como o CO2, funciona como um ‘escudo protector’ da terra, impedindo que o calor absorvido da radiação solar escape para o exterior, criando-se, assim, uma situação de Equilíbrio Térmico do Planeta. É o ‘Efeito de Estufa’.

No entanto, as acções humanas na Natureza, como a queima de combustíveis fósseis, a desflorestação, o uso excessivo dos transportes... têm contribuído para o aumento das concentrações de CO2 e, portanto, do ‘ Efeito de Estufa’. È este grave problema do aquecimento da atmosfera que está na origem de problemas ambientais em todo o Mundo.

Algumas consequências prendem-se com o derreter das calotes polares e a subida do nível médio das águas do mar: regiões do Mundo, como as Ilhas MALDIVAS, poderão ser afectadas e correm o risco de submersão!... Isto conduzirá, igualmente, ao desaparecimento da flora e da fauna locais, ao desequilíbrio dos ecossistemas!...

É, pois, urgente e necessário que a Humanidade se consciencialize destes problemas e procure agir , tomando atitudes e posturas de Cidadania. A sensibilização para a Problemática Ambiental é o papel de todos nós, enquanto habitantes do planeta Terra.


CONVITE À VIAGEM

Os Descobrimentos Marítimos Portugueses deram a conhecer uma "outra Geografia" do Mundo.

Uma Geografia não somente Física, mas também Económica e Cultural.

Com a Viagem Marítima de Vasco da Gama à Índia, o Continente Europeu "aproximou-se" do Continente Asiático, não somente sob o ponto de vista Geográfico, mas também, sob os pontos de vista Económico e Cultural.

A aproximação Económica foi feita mediante as trocas comerciais que se efectuaram desde então, através dos Oceanos.

A aproximação Cultural realizou-se por meio de um conhecimento mais vasto de outros Povos, Tradições, Costumes e Religiões.

Assim, os Descobrimentos Marítimos representam, para a Humanidade, "Encontros de Culturas, de Civilizações".

As viagens, as grandes viagens pelo Mundo, são, pois, na sua essência, "Encontros dos Povos".

Ao partir-se para qualquer destino do Planeta, ao chegar-se a uma qualquer das ilhas do Índico, está-se a descobrir a essência da Viagem: "O Encontro"!

Viajar é encontrarmo-nos connosco próprios e com o Mundo!

VIAJAR É PRECISO!



Bibliografia
"Os Lusíadas", anotados e parafraseados pelo Doutor Campos Monteiro, Domingos Barreira - Editor (Porto), 1933, 3ª edição.
Rui Loureiro, "O encontro de Portugal com a Ásia no séc. XVI", in António Luís Ferronha (coord.), O confronto do olhar, Caminho, 1991.
Revista Volta ao Mundo, nº92, Junho de 2002.
J. Oliveira Macêdo, Sob o signo do Império - Os Lusíadas, Mensagem, Edições ASA, Porto, Novembro 2002.

 

Para cima ]